A Igreja Anglicana foi à primeira Igreja Evangélica a desembarcar no Brasil. Apesar de hoje sermos pouco conhecidos por aqui, somos a terceira maior família cristã no mundo, atrás somente da Igreja de Roma, e das Igrejas Orientais. A Igreja Anglicana, ou Igreja da Inglaterra, no entanto, é mais conhecida do que muitos imaginam. Recentemente, por exemplo, o Brasil inteiro assistiu a um culto no qual foi celebrado o casamento do Príncipe Willian e Catherine Middleton (herdeiros do Trono Real Inglês).
[Imagem do casamento transmitido em Rede Nacional
aqui no Brasil]
[Bispo Josep Rossello]
O casamento de Débora e Renato será, com a Graça de
Deus, celebrado pela Igreja Anglicana Reformada do Brasil; o celebrante será o
Bispo Josep Rossello, espanhol naturalizado no Brasil. Desejamos felicidades
aos noivos, e aproveitamos para deixar uma mensagem a todos os seus familiares e amigos, reproduzindo o
sermão do Reverendíssimo Dr. Dom Richard Chartres, bispo de Londres.
Abadia de Westminster — 29 de abril de 2011.
O CASAMENTO DO PRÍNCIPE WILLIAM E CATHERINE MIDDLETON
O sermão do bispo de Londres
“Seja quem Deus quis que você fosse e você irá inflamar o mundo”.
Assim disse
Santa Catarina de Siena, cujo dia o festivo se comemora hoje. O casamento deve
ser o caminho no qual o homem e a mulher se ajudam mutualmente a ser aquilo que
o Senhor planejou para cada um, na expressão mais profunda e verdadeira do ser.
Muitos
vivem temerosos pelas perspectivas futuras deste nosso mundo, mas a mensagem
desta celebração para o país e para além das nossas fronteiras é a correta.
Este é um dia de alegria! E é muito bom que as pessoas de todos os continentes
possam compartilhar da alegria destas celebrações, pois este é, como todos os
casamentos deveriam ser, um dia de esperança.
De certo
modo, todo o casamento é um casamento real, onde a noiva e o noivo, como rei e
rainha da criação, constroem juntos uma nova vida, para que através deles, a
vida possa fluir para o futuro.
William e
Catherine, vocês escolheram se casar na presença de um Deus generoso que amou o
mundo de tal maneira que Se deu a nós na pessoa de Jesus Cristo.
E, no
Espírito deste Deus generoso, marido e mulher estão prontos a se darem um ao
outro.
Nossa
existência espiritual evolui à medida que o amor encontra seu centro para além
de nós mesmos.
Relacionamentos
baseados no compromisso e na fé abrem uma porta para o mistério da vida
espiritual, na qual descobrimos o seguinte:
Quanto mais
doamos de nós mesmos, mais enriquecemos a nossa alma, mais nos superamos em
amor, mais nos tornamos nosso verdadeiro ser e a nossa beleza espiritual é
revelada por inteiro.
No
casamento, procuramos levar, um ao outro, a uma vida mais plena. Claro que é
muito difícil se afastar do egocentrismo. Podemos até sonhar em fazer isto, mas
este desejo jamais será atendido, sem que haja uma decisão solene, não
importando quais sejam as dificuldades, estaremos comprometidos com o caminho
do amor generoso.
Vocês
tomaram a sua decisão hoje – “Eu aceito” – e, ao iniciar este novo
relacionamento, vocês se alinharam com o que acreditamos ser o caminho pelo
qual a vida evolui espiritualmente e que conduzirá a raça humana a um futuro
fecundo. Nós contemplamos à frente um século repleto de promessas e também de
ameaças. A humanidade confronta a questão do uso sábio do poder que nos foi
dado através das descobertas do último século.
Que o nosso
engajamento com as oportunidades do futuro não se traduzam meramente na busca
por mais conhecimento, se não antes pelo aumento da sabedoria amorosa e a
reverência pela vida, pelo planeta e pelo próximo.
O casamento
transforma, na medida em que marido e mulher fazem do outro a sua obra prima. A
transformação é possível, desde que refreemos as nossas ambições para mudar o
nosso parceiro. Se o Espírito flui, não deve haver coerção; cada qual dá ao
outro espaço e liberdade. Chaucer, o poeta londrino, resume isto precisamente
em uma frase (1):
Quando
a preponderância entra, o deus do amor logo Bate as suas asas e adeus, ele se
foi.
Á medida em
que a existência de Deus se desvanece de tantas vidas no Ocidente, assistimos,
em contrapartida, o aumento das expectativas colocadas sobre as relações
pessoais e destas serem capazes, sozinhas, de proporcionar felicidade e sentido
à vida.
Isto é
depositar um fardo muito grande sobre os ombros de nossos conjugues. Nós somos
todos incompletos: Nós todos precisamos do amor que é segurança, em vez de
opressão. Precisamos nos perdoar mutuamente para florescer.
Na medida
em que nos movemos na direção de nosso parceiro no amor, seguindo o exemplo de
Jesus Cristo, o Espírito Santo é vivificado em nós preenchendo nossas vidas com
luz. Isso conduz a uma vida familiar oferecendo as melhores condições para
próxima geração receber e trocar os presentes capazes de superar o medo e a
divisão e nutrir o mundo vindouro do Espírito, cujos frutos são o amor e
alegria e a paz.
Eu oro para
que todos nós, aqui presentes, e os muitos milhões que estão nos assistindo
hoje, compartilhando da alegria da nossa celebração, façam tudo ao seu alcance
para apoiá-los e sustentá-los em sua nova vida. E peço a Deus que vos abençoe,
neste caminho de vida que vocês escolheram. Caminho este, expresso na oração
que ambos fizeram em preparação a este dia:
Deus, nosso pai, nós Lhe agradecemos por nossas famílias; pelo amor que partilhamos e pela alegria de nosso casamento. Mantenha na ordem de cada um de nossos dias, nossos olhos fixados naquilo que é verdadeiramente importante na vida e nos ajude a sermos generosos com o nosso tempo, amor e energia. Reforçados pela nossa União, ajuda-nos a servir e consolar aqueles que sofrem. A Isto Te pedimos, no Espírito de Jesus Cristo. Amém.
(1) Traduzido do Inglês medieval: "Whan
maistrie comth, the God of Love anon, Beteth his wynges, and farewell, he is
gon."


0 comentários:
Postar um comentário